No município de Natalândia, região Noroeste de Minas Gerais, um caso bem-sucedido de um trabalhador rural que conseguiu ter o seu próprio pedaço de terra, transformando em uma propriedade diversificada, está chamando a atenção. Jovando Baldoíno, 45 anos, casado, pai de seis filhos, se transformou em um empreendedor rural.

Ele é dono de uma propriedade rural de 7,5 hectares. Com um rebanho de 18 cabeças de gado leiteiro, entre matrizes, novilhas, bezerras e um touro, Baldoíno consegue ter uma produção média diária de 80 a 100 litros de leite ou mais. O leite é vendido para uma empresa de laticínios da cidade. Ele ainda cria galinhas, porcos e cultiva pequenas lavouras de milho e feijão para o consumo da família.

O começo

Baldoíno é atendido desde 2012 pela Emater-MG, vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Foi por meio da assistência da empresa pública mineira que ele conseguiu acessar recursos de programas federais para investir no sítio e, assim, dar a largada no próprio empreendimento, conquistando mais renda e qualidade de vida para a família.

“A Emater me ajudou muito. Encaminhou tudo pra mim. Eu moro a vida toda na roça e não entendia quase nada. Tinha um terreninho aqui, que comprei a prazo, com meu trabalho de pedreiro, mas não tinha pasto, gado, nem cerca tinha”, resume.

Segundo o extensionista agropecuário do escritório local da Emater-MG em Natalândia, Waldemiro José de Oliveira, tudo teve início com o cadastramento de Baldoíno no Programa Luz Para Todos, atendendo pedido do próprio trabalhador. O Luz Para Todos tem por objetivo levar energia elétrica em regiões rurais e é realizado em parceria com governos estaduais. Depois, novamente com a assistência da empresa mineira, Baldoíno foi inserido no Programa Brasil Sem Miséria (BSM) e, posteriormente, no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), para obtenção de crédito rural.

“Quando fiz o cadastro dele no Luz Para Todos, nem casa ele tinha no sítio. Eram só quatro esteios e um telhadinho quase caindo. Eu achei um desafio muito grande e me chamou a atenção pela humildade, simplicidade. Ele é muito dedicado à família e ao trabalho. O local não tinha pastagem, a área era de cerrado e a terra bastante fraca. Em 2013, ele começou a construir a casa”, conta Oliveira.

O técnico da Emater-MG conta que, com o recurso de R$2,4 mil do BSM, Baldoíno deu os primeiros passos, comprando duas novilhas. O acesso ao Pronaf foi outro estímulo, pois, com o crédito rural, o produtor melhorou a pastagem do local e comprou mais seis novilhas e assim seguiu aumentando o rebanho.

Antes ele morava de favor na casa de um amigo. Ainda trabalhava de pedreiro e prestava serviço de diarista aos vizinhos para sustentar a família, uma vez que o sítio não produzia. Agora os resultados são evidentes. Houve melhoria da qualidade de vida da família do agricultor com casa própria. A propriedade também conta com curral de manejo, tanque de expansão, poço artesiano e energia elétrica.

Atualmente, segundo o técnico da Emater-MG, só com a comercialização do leite, o produtor tem uma renda média mensal em torno de R$5,4 mil. Fora a venda de bezerros e vacas.

Capineira

Baldoíno não abre mão de técnicas ensinadas pela Emater-MG para melhorar a produtividade de sua atividade leiteira. Ele recebeu da empresa de extensão rural mineira mudas de capim elefante, de alta produtividade e valor protéico, desenvolvidas pela Embrapa. Em um período de dois anos, o produtor formou uma capineira irrigada em uma área de 1,2 hectare, com a cultivar BRS Capiaçu.

Hoje ele tem uma forrageira ideal para silagem, que usa na alimentação do gado na época de seca e em outros períodos do ano, quando a pastagem fica escassa. “Como estamos numa parte de cerrado, tem que ser esse capim. Uso para fazer silagem e dar para as vacas”, afirma Baldoíno.

As mudas do capim da propriedade também foram compartilhadas com outros produtores de Natalândia e municípios vizinhos. Mais de 300 produtores já levaram mudas do capim Capiaçu. “A partir das mudas de forrageiras doadas pelo produtor, vários outros agricultores formaram suas capineiras e hoje possuem estratégia de produção de forragem para suplementação alimentar dos bovinos”, explica Waldemiro de Oliveira.

De acordo o técnico, a atividade leiteira e o bem-estar animal no município estão mais fortalecidos. “Natalândia tornou-se multiplicadora das forrageiras Capiaçu e Kurumi, ofertando para outros municípios”, afirma.

A propriedade de Baldoíno também se tornou uma unidade demonstrativa do Projeto Piloto, parceria entre a Emater-MG e a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), servindo para demonstrações de tecnologias e de inspiração a outros produtores locais. O empreendimento rural é um caso de experiência de sucesso com a utilização de tecnologias importantes, como o pastejo rotacionado, capineira irrigada, confecção de silagem e armazenamento próprio para o leite. “Com orientação, tudo que você plantar, seguindo o que é certo, como corrigir o solo, usar calcário, adubo, por exemplo, funciona”, afirma Baldoíno.

Segundo o produtor, em breve a produção de leite vai aumentar, com o nascimento de novos bezerros. Hoje ele conta com três vacas no período de gestação. “E pensar que tudo começou com a compra de duas novilhas de subsistência”, pontua o técnico agropecuário Waldemiro José de Oliveira.

MelhorAção 2020

Sob o título de “Caso de Negócio Bem-Sucedido da Ação Extensionista, no município de Natalândia”, a experiência relatada é um dos trabalhos regionais da empresa de extensão rural, agraciado pelo prêmio interno MelhorInovação de 2020. O concurso da Emater-MG elege os trabalhos desenvolvidos por seus funcionários que tenham obtido resultados relevantes para a empresa ou para seus clientes.

Terezinha Leite - Ascom/Emater-MG

Fotos: Divulgação Emater-MG

 

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