Na terça feira da próxima semana (22/9) tem início a Primavera. Apesar da permanência das condições de neutralidade do padrão climático ENOS, o resfriamento das águas superficiais do oceano Pacífico contribui para a permanência da expectativa de uma estação mais seca neste ano, principalmente no extremo sul do país e na maior parte do Nordeste Brasileiro.

Confira abaixo o prognóstico preparado pelos pesquisadores da Empresa de Pesquisa de Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Williams Ferreira¹ (Epamig/Embrapa Café) e Marcelo Ribeiro².

Primavera

A primavera que se inicia no dia 22 de setembro, às 10h31m (horário de Brasília), marca a transição entre o inverno e o verão. É nesta estação que ocorre a mudança de orientação do eixo da Terra em relação ao Sol, ou seja, é a estação do início do calor devido a invasão do ar quente da região equatorial nas latitudes mais altas que ainda estão sob a influência do ar frio proveniente do continente antártico.

Deste modo, a primavera é climaticamente marcada pela instabilidade atmosférica mais frequente, o que favorece a formação das tempestades causadas por nuvens cumulunimbus, que quando ocorrem em conjunto formam supercélulas que podem produzir chuvas torrenciais, inclusive com a ocorrência de granizo. Na primavera as noites tornam-se mais curtas e os dias mais longos, fato esse que afeta o ciclo de algumas plantas, provocando a floração, de acordo com a necessidade de água e de calor de cada espécie.

Condições ENSO (El Niño-Southern Oscillation)

Apesar da continuidade do resfriamento das águas do oceano Pacífico, a possibilidade do desenvolvimento de fenômeno La Niña, indicada pelos sinais do índice multivariado ENOS (MEI em inglês), é muito baixa, pouco mais de 50%. Todavia, as atuais condições de neutralidade do padrão climático ENOS devem contribuir para que a próxima estação do ano seja mais seca do que o normal.

A chuva nos próximos meses

Para o mês de outubro é previsto que o tempo seco predomine na região do Jequitinhonha e na parte mais ao norte do estado de Minas Gerais, no Centro Sul baiano e na região do Matopiba. Chuvas pouco acima da média são esperadas para as regiões do Noroeste de Minas, Metropolitana de Belo Horizonte e Zona da Mata.

Em novembro chuvas acima da média do mês podem ocorrer no noroeste de Minas, Triângulo Mineiro, Zona da Mata, sendo que nas demais regiões do Estado é esperado que as chuvas ocorram dentro, ou pouco acima, da média do período com exceção da região do Jequitinhonha, próximo à divisa do Norte de Minas com a região Centro Sul Baiana, em que o tempo seco deve permanecer. Embora em menor intensidade, a secura também permanece na região do Matopiba, com exceção da parte do sudoeste do estado do Piauí.

Em dezembro, há maior probabilidade de aumento das chuvas na região Sul de Minas, no norte do estado de São Paulo e leste do Mato Grosso do Sul. Já nas demais regiões do estado de Minas Gerais, a probabilidade é de que as chuvas ocorram dentro ou abaixo do normal para o mês, condição também esperada para toda a Bahia e a região do Matopiba.

O clima no trimestre outubro, novembro e dezembro

Nos três últimos meses de 2020, a probabilidade é de que as chuvas ocorram pouco acima da média na região da Zona da Mata, no Campo das Vertentes, na região Metropolitana de Belo Horizonte e no Noroeste de Minas. Condição semelhante é também esperada para o litoral norte e sul do Espírito Santo. Chuvas dentro da média, ou pouco acima desta, são esperadas para o Sul de Minas e o Triangulo Mineiro (com destaque para Frutal), e para os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A região Sul do Brasil deve apresentar chuvas abaixo da média, principalmente no Rio Grande do Sul.

Com relação as temperaturas, estas devem ocorrer dentro da média, ou pouco acima, em todo o Brasil, sendo a região do litoral entre o Amapá e o Rio Grande do Norte aquela onde é esperado que ocorram as maiores temperaturas neste período.

O Café

No atual período, após o término da colheita, os produtores devem realizar, o mais rápido possível, as podas e a calagem das lavouras, caso sejam necessárias. As podas melhoram a estrutura produtiva das plantas e, além de reduzir a altura e o entrelaçamento entre as plantas, potencializam o microclima e facilitam a colheita da próxima safra. Após as podas, quando iniciarem as brotações, os produtores devem ficar atentos ao controle das deficiências de zinco e boro que são muito comuns neste período. A calagem de cobertura é um manejo que visa fornecer suprimento de nutrientes, cálcio e magnésio, para as plantas. Todavia, para realizar a calagem corretamente é necessário que análises de solos sejam realizadas e interpretadas para determinar a dose ideal a ser aplicada.

Na maioria das regiões cafeeiras de Minas Gerais, próximo ao início da primavera, é comum ocorrer a primeira florada. Para garantir o pegamento, tanto das floradas quanto dos chumbinhos, alguns fatores importantes devem ser considerados, entre os quais destaca-se o controle fitossanitário. Este controle mantém a planta sadia e enfolhada, principalmente no atual momento em que tem sido observado lavouras com aumento da incidência de ferrugem tardia e a infestação de bicho mineiro. O bom estado nutricional das plantas também é fundamental pois favorece o pegamento não só da florada, mas também do chumbinho.

O bom estado vegetativo também é importante, já que plantas bem enfolhadas e hidratadas também contribuem para o pegamento de ambos, florada e chumbinho.

Considerando a probabilidade de ocorrência de temperaturas dentro da média, ou pouco acima, associada ao atraso do início da estação chuvosa, com chuvas pouco efetivas para a agricultura, o pegamento das floradas, bem como dos chumbinhos, podem ser comprometidos. Diante do cenário climático previsto, os cafeicultores que têm condição de irrigar devem se preparar para a necessidade do uso desta técnica para garantir o pegamento das floradas e dos chumbinhos, além do enchimento adequado dos frutos, da produtividade e da qualidade do café.

Prognóstico

A análise e o prognóstico climático aqui apresentados foram elaborados com base na estatística e no histórico da ocorrência de fenômenos climáticos globais, principalmente, daqueles atuantes na América do Sul. Considerou-se também as informações disponibilizadas livremente pelo NOAA; Instituto Internacional de Pesquisas sobre Clima e Sociedade — IRI; Met Office Hadley Centre; Centro Europeu de Previsão de Tempo de Médio Prazo — ECMWF; Boletim Climático da Amazônia elaborado pela Divisão de Meteorologia (DIVMET) do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) e com base nos dados climáticos disponibilizados pelo INMET (5º DISME)/CPTEC-INPE.

O prognóstico climático faz referência a fenômenos da natureza que apresentam características caóticas e são passíveis de mudanças drásticas. Desta forma, a Epamig e a Embrapa Café não se responsabilizam por qualquer dano e, ou, prejuízo que o usuário possa sofrer, ou vir a causar a terceiros, pelo uso indevido das informações contidas na presente matéria.

Portanto, é de total responsabilidade do usuário (leitor) o uso das informações aqui disponibilizadas.

¹Pesquisador da Embrapa Café/Epamig Sudeste na área de Agrometeorologia e Climatologia, atua principalmente em pesquisas voltadas para o tema Mudanças Climáticas Globais e cafeicultura. - williams.ferreira@embrapa.br

²Pesquisador da Epamig na área de Fitotecnia, atua em pesquisas com a cultura do café. mribeiro@epamig.br

Ascom/Epamig

Foto: NCEP/CDAS