O longo caminho a percorrer até a saída de produtos agrícolas para o mundo começa bem antes de abrir a porteira. Uma fazenda mineira produtora de laranja localizada no município de Piedade do Rio Grande, na região de Campos das Vertentes, conquistou um feito inédito dando início ao processo de exportação da fruta cítrica para a Espanha, país pertencente à União Europeia. O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), realizou, no âmbito da Defesa Sanitária Vegetal, acompanhamento contínuo da propriedade rural, vistoriando as normas sanitárias exigidas para a comercialização da fruta e intermediando o cadastro de exportação do produtor de citros junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Além das ações previstas nas legislações estadual e federal já devidamente seguidas pela fazenda para o mercado interno, o citricultor manifestou interesse em aplicar as medidas integradas para o Sistema de Manejo de Risco (SMR), que é uma exigência do país importador. A verificação do SMR pelo IMA e Mapa para fins de exportação ocorreu de forma presencial, antes da pandemia de Covid-19. As demais ações foram realizadas remotamente, como a manutenção de unidades de produção e a emissão de documentos sanitários, a exemplo da Permissão de Trânsito Vegetal (PTV), destinado à carga que segue para o beneficiamento.

Packing house

Entre outras regras para a exportação está o armazenamento das frutas em uma packing house, espécie de galpão onde os produtos são recebidos antes de seguirem para o consumo, em condições de prepará-los para transporte e comercialização, dispondo as frutas para a lavagem, sanitização, seleção, classificação e embalagem.

Renato de Biase é o engenheiro agrônomo responsável técnico da Fazenda GL, propriedade do citricultor Gilson Lucato, que está prestes a exportar laranjas para a Espanha. Biase recebeu os fiscais agropecuários do IMA durante todo o processo de cumprimento aos requisitos fitossanitários. “É grande o desafio de exportar laranja para a Espanha, pois é um país extremamente exigente com relação às medidas fitossanitárias, não apenas ao controle de pragas, mas também ao uso de defensivos”, disse o engenheiro agrônomo sinalizando que no momento as frutas estão sendo embaladas no packing house para serem liberadas aos containers e posteriormente seguirem viagem.

Medidas sanitárias

Monitoramento e manejo são ações preventivas eficazes para conter a ocorrência de pragas nos pomares. Na linha de frente do atendimento às fazendas produtoras de citros da região, o fiscal agropecuário do IMA, engenheiro agrônomo Heitor Schiavon Cougo, conta que a Fazenda GL seguiu todas as normas fitossanitárias, submetendo ao monitorando e manejo de eventuais doenças. “A Fazenda GL é um exemplo bem-sucedido, pois inspecionou periodicamente os pomares e seguiu todos os procedimentos legais em conformidade com as normas internacionais fitossanitárias. No caso específico da exportação, o controle regional nos pomares é necessário para a Pinta Preta, praga que provoca queda dos frutos, causando prejuízos econômicos ao produtor”, explica. Os trabalhos de vistoria na fazenda contaram com a parceria do técnico agrícola do IMA, Jordano de Carvalho.

Durante o enfrentamento da Covid-19, a fiscalização remota dá suporte à certificação fitossanitária de origem e à verificação do transporte de produtos que são obrigatoriamente submetidos a documento sanitários. O fiscal agropecuário do IMA reforça que atender a legislação é imprescindível para as fazendas conseguirem exportar as frutas. Entre as normas da Defesa Sanitária Vegetal a serem seguidas pelos citricultores estão as portarias do IMA nºs 864 e 950, a Lei Estadual n° 15.697 de 2005 e as Instruções Normativas do Mapa nº 21 de 2018 e nº 3 de 2008.

Diagnósticos


Durante a fiscalização, em casos de existência de plantas contaminadas, o IMA encaminha ao Mapa o resultado de diagnóstico emitido por laboratórios credenciados na Rede Nacional de Laboratório Agropecuários. A coleta de amostras das plantas de citros e a remessa para análise em laboratório credenciado é feita por engenheiro agrônomo responsável pela emissão do Certificado Fitossanitário de Origem (CFO) ou Certificado Fitossanitário de Origem Consolidado (CFOC). Ambas as habilitações são concedidas após cursos ministrados por fiscais do IMA.


O diretor-geral do IMA, Thales Fernandes, lembra que a vistoria nas propriedades de citros é realizada a cada três meses em parceria com engenheiros agrônomos da iniciativa privada habilitados. “A participação do citricultor, assim como a de todos os elos da cadeia produtiva, são fundamentais para a sanidade dos frutos aptos para a comercialização. Sempre que há conquistas como essa, comemoramos junto com o produtor, que contribui para a economia de Minas”, celebra.

Citricultura

Minas é destaque na produção de laranja. De acordo com a Seapa, o estado ocupa a segunda posição no ranking nacional. Prata, Comendador Gomes, Frutal, Uberlândia e São Sebastião do Paraíso são os principais municípios produtores.

 


Rodolpho Sélos – Ascom IMA

Foto: Divulgação/IMA